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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Milhões de comparações

Posso não ter uma idade avançada, mas creio que já vivi muitas coisas que outros nesta condição não puderam desfrutar. Certo, dê nome aos bois, Rivka (e foco para a escrita). Falo sobre o foco porque ouço essa frase com frequência rotineira, tanto para mim quanto para os outros colegas de trabalho. Whatever. Voltemos ao assunto.

Exemplos?

Entre as esquinas femininas de São Paulo cruza-se a Augusta, que saudade! como diria Tom Zé.
Descendo a vaidosa e remendada rua com a finalidade de fumar meu cigarro em paz e na chuva, eu a encontro: Sabrina Milhões.
Tão vaidosa quanto a própria rua, Sabrina, de vinte e poucos anos, não poderia encontrar peculiaridade em outro local senão lá.
Alta, da mesma forma que a rua é comprida, magra, da mesma maneira que a rua é estreita e um pouco remendada, se comparada aos buracos.
Me pede um cigarro, o acende pulando. Nunca entendi essa mania de garotas de programa. Ou dão pulinhos, ou mexem nos cabelos, ou levantam os seios...Enfim. A conversa começou a se desenrolar.
Pergunta para quebrar o silêncio desconfortável. 'Está começando?' 'Eu tô gata!', responde palpitando o decote.
'Vou ficar até as seis da manhã hoje, gata. Não tô muito afim hoje não. Tô desanimadinha, sabe'.

Sei?

Sabrina Milhões. Milhões de palavras, gestos e efusividade em diversos sentidos. Com isso ela prendeu minha atenção e despertou meu interesse sobre alguns fatos de sua profissão, que tão (des)reconhecida como a minha, há muito em comum.

Noites mal dormidas, muito cigarro, muito café e falta de paciência (falando em falta, notei que a de dinheiro é só na minha, nunca na dela).
Liguei os pontos na minha cabeça e comparei seus clientes com o meu editor-chefe enquanto ela contava 'o que eles gostam, quando eles brigam ou quando ficam insatisfeitos.' Pf.

A comparação foi além quando começou a me falar de suas amigas. 'Conheci muita gente que mantenho contato até hoje...'

'Fudeu', pensei.

E, por fim, me assustei ao ouvir palavras roucas: 'Mas o que eu ainda quero fazer na minha vida é a faculdade de jornalismo. Sou apaixonada por jornalismo e quero ser repórter.'

Meu Deus, dou risada ou choro?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Não pelo todo

Vai, meiguinha. Vai conhecer sua vida, vai.

Vai com o braço torto e a cabeça oca tropeçando em suas risadas no caminho. Mas vê se aprende a parar de fingir também, isso é um conselho...

Tabom, tabom. Se conselho fosse bom se vendia, não se dava. Por ser seu inconsciente te dou essa colher de chá e uma chance de olhar pra frente.

Vai assim, toda tinindo, trincando. Levanta agitando, faz da tarde um proveito e da noite uma loucura, mas te deixa um tempo pra pensar, porque assim meu trabalho fica dobrado. Se for desse jeito, eu tenho que desaguar palavras que você não absorve e esquece o uso.

Tadinha... já esqueceu o uso de tanta coisa, né? inclusive o meu! que fico aqui guardado no porão da sua cabeça.

Eu ando jogado às traças. Tô barbudo e cheirando mal.

Que desacato com o seu inconsciente, mocinha! Deus te deu essa maravilha pra ajudar, mas você só consegue fazer confusão. Ao invés de me usar como uma flor de pétalas abertas, me tranca enraizado sob a terra, regada à delírio.

Que pena...

...Eu poderia te falar tanta coisa.