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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Leite Derramado

'Com o tempo aprendi que o ciúme é um sentimento para proclamar de peito aberto, no instante mesmo de sua orgiem. Porque ao nascer, ele é realmente um sentimento cortês, deve ser logo oferecido à mulher como uma rosa. Senão, no instante seguinte ele se fecha em repolho, e dentro dele todo o mal fermenta. O ciúme é então a espécie mais introvertida das invejas, e mordendo-se todo, põe nos outros a culpa de sua feiura.'

- Trecho do livro Leite Derramado, de Chico Buarque.

Acho que Chico conseguiu retratar em palavras o sentimento universal que é o ciúme, além de todos os entraves que ele engloba.

Realmente, ao nascer não pode ser chamado de ruim, já que a causa de sua origem veio para o bem, o bem querer.

Não me considero uma pessoa ciumenta - talvez nunca tenha gostado o suficiente para alcançar esse sentimento - mas ao ler o livro senti vontade de me descabelar de ciúmes entre tantos outros sentimentos que ele aborda. Recomendo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Todos conectados

Uma rede banda larga com conexão tão rápida quanto a de vinte mil residências em um único lugar. Pode até parecer um sonho para qualquer internauta apaixonado por tecnologia, com exceção aos que participaram da Campus Party 2010. Esses puderam desfrutar dos mais novos adventos tecnológicos à base de um clique.


O evento reuniu pessoas dos quatro cantos do País, algumas delas dispostas a acampar no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. Com seus computadores de última geração, os jovens, adultos, e até mesmo quem estava a trabalho, tiveram a oportunidade de compartilhar arquivos e dados a toda velocidade, além de discutir trabalhos relacionados à web em busca de um mesmo objetivo: descobrir as tendências da tecnologia.

Segundo o diretor de tecnologia da Campus Party, Polkan Garcia, é o sistema de fibras ópticas que proporciona tal qualidade ao serviço. “Os equipamentos da Telefônica junto aos de UTP – usados para criação de redes baseadas em fios – são instalados dentro de cada torre do recinto. São quase 16 quilômetros de fibras ópticas em cada uma delas que levam a conexão aos switches com velocidade de dez gigas”.

Entusiasmado, Polkan explica que cada mesa possui duas fibras ópticas, o que é capaz de conectar 70 pessoas simultaneamente de forma segura, já que há uma monitoração de tráfego malicioso por um aparelhamento detector de problemas em qualquer local do Centro. “Controlamos tudo o que entra e o que sai da rede”, continua o diretor.

Depois de conectados, os próprios campuseiros utilizam a rede para instalar programas que dão oportunidade de compartilhamento de dados e arquivos. Assim os jogos, filmes e diversos tipos de trabalhos são dispostos em pastas que todos têm acesso. “O que temos aqui é um incentivo ao aprendizado e conhecimento”, afirma Leandro Ferreira, instrutor de informática e frequentador da Campus Party há três anos.

Conhecimento

Em sua terceira edição, a Campus Party não se contenta em agradar apenas aos que gostam de compartilhamento, downloads e jogos. Durante os sete dias de duração há palestras, workshops e demonstrações reais de conteúdo da internet.

Os usuários criam espaço para debater os melhores meios para o próprio trabalho, como a palestra sobre blogs, ou a de redes sociais e mobile marketing. “Acredito que quem aproveita o evento a fundo é aquela pessoa que, além de baixar jogos e dados, tenta participar das palestras, compartilha o que aprendeu e repassa para todos quando o evento chegar ao fim. Este é o intuito da Campus Party”, conta Brunno Constante, moderador da palestra sobre o fim do Mp3.

Dessa forma, a estrutura é oferecida pelos organizadores, mas o desenrolar do evento fica a critério dos campuseiros. O sucesso pode ser definido somente depois dos sete dias de Campus Party. As principais tendências, ferramentas e dicas de uso são lançadas, o que perdura ou não depende da divulgação do público.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Milhões de comparações

Posso não ter uma idade avançada, mas creio que já vivi muitas coisas que outros nesta condição não puderam desfrutar. Certo, dê nome aos bois, Rivka (e foco para a escrita). Falo sobre o foco porque ouço essa frase com frequência rotineira, tanto para mim quanto para os outros colegas de trabalho. Whatever. Voltemos ao assunto.

Exemplos?

Entre as esquinas femininas de São Paulo cruza-se a Augusta, que saudade! como diria Tom Zé.
Descendo a vaidosa e remendada rua com a finalidade de fumar meu cigarro em paz e na chuva, eu a encontro: Sabrina Milhões.
Tão vaidosa quanto a própria rua, Sabrina, de vinte e poucos anos, não poderia encontrar peculiaridade em outro local senão lá.
Alta, da mesma forma que a rua é comprida, magra, da mesma maneira que a rua é estreita e um pouco remendada, se comparada aos buracos.
Me pede um cigarro, o acende pulando. Nunca entendi essa mania de garotas de programa. Ou dão pulinhos, ou mexem nos cabelos, ou levantam os seios...Enfim. A conversa começou a se desenrolar.
Pergunta para quebrar o silêncio desconfortável. 'Está começando?' 'Eu tô gata!', responde palpitando o decote.
'Vou ficar até as seis da manhã hoje, gata. Não tô muito afim hoje não. Tô desanimadinha, sabe'.

Sei?

Sabrina Milhões. Milhões de palavras, gestos e efusividade em diversos sentidos. Com isso ela prendeu minha atenção e despertou meu interesse sobre alguns fatos de sua profissão, que tão (des)reconhecida como a minha, há muito em comum.

Noites mal dormidas, muito cigarro, muito café e falta de paciência (falando em falta, notei que a de dinheiro é só na minha, nunca na dela).
Liguei os pontos na minha cabeça e comparei seus clientes com o meu editor-chefe enquanto ela contava 'o que eles gostam, quando eles brigam ou quando ficam insatisfeitos.' Pf.

A comparação foi além quando começou a me falar de suas amigas. 'Conheci muita gente que mantenho contato até hoje...'

'Fudeu', pensei.

E, por fim, me assustei ao ouvir palavras roucas: 'Mas o que eu ainda quero fazer na minha vida é a faculdade de jornalismo. Sou apaixonada por jornalismo e quero ser repórter.'

Meu Deus, dou risada ou choro?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Não pelo todo

Vai, meiguinha. Vai conhecer sua vida, vai.

Vai com o braço torto e a cabeça oca tropeçando em suas risadas no caminho. Mas vê se aprende a parar de fingir também, isso é um conselho...

Tabom, tabom. Se conselho fosse bom se vendia, não se dava. Por ser seu inconsciente te dou essa colher de chá e uma chance de olhar pra frente.

Vai assim, toda tinindo, trincando. Levanta agitando, faz da tarde um proveito e da noite uma loucura, mas te deixa um tempo pra pensar, porque assim meu trabalho fica dobrado. Se for desse jeito, eu tenho que desaguar palavras que você não absorve e esquece o uso.

Tadinha... já esqueceu o uso de tanta coisa, né? inclusive o meu! que fico aqui guardado no porão da sua cabeça.

Eu ando jogado às traças. Tô barbudo e cheirando mal.

Que desacato com o seu inconsciente, mocinha! Deus te deu essa maravilha pra ajudar, mas você só consegue fazer confusão. Ao invés de me usar como uma flor de pétalas abertas, me tranca enraizado sob a terra, regada à delírio.

Que pena...

...Eu poderia te falar tanta coisa.